Vida nova à Titano!
Tive a oportunidade de conferir de perto as alterações feitas pela Fiat na Titano durante o lançamento desta na Pontanegra Fiat, concessionária da marca italiana em Natal/RN. Mas que alterações foram essas? Elas foram suficientes para melhorar a picape, tão criticada pela imprensa especializada no seu lançamento?
Imagens: arquivo pessoal
Lançada em 2024, a Titano foi o ticket de entrada da Fiat no segmento de picapes de médio porte montadas sobre chassis. Apesar da expertise da marca em picapes de pequeno e médio porte que utilizam estrutura monobloco, fazer picapes com chassis de longarina era um território ainda a ser desbravado.
Contudo, estando dentro do ecossistema do grupo Stellantis, os italianos tinham a opção de usar a Landtrek, picape da Peugeot oferecida em outros mercados. Só que a Landtrek... a Landtrek não era exatamente da marca francesa, mas sim uma Kaicene F70, lançada no já longínquo ano de 2019 e desenvolvida através de uma parceria entre a Changan, grupo chinês, e a PSA, sociedade da qual a Peugeot fazia parte antes de se fundir com a FCA e formar a Stellantis.
Isso ajuda a entender as deficiências da Titano em relação às concorrentes quando ela foi lançada, há um ano. Apesar do preço consideravelmente abaixo da média do segmento, a Titano tinha muitos pontos que irritavam e que a deixavam bem aquém da concorrência, com seu motor fraco, alto consumo e suspensão que trepidava demais.
A Fiat, contudo, sempre atenta ao mercado e rápida para reagir às demandas do público, decidiu fazer algo, dando um verdadeiro banho de loja ao modelo. Para isso, focou as mudanças naqueles que considerou os pontos mais críticos da Titano.
A Titano agora é fábricada na unidade da Stellantis localizada em Córdoba, na Argentina - antes vinha da planta multimarcas da Nordex, no Uruguai. A principal alteração provavelmente esteja no trem de força: sai o motor DW12, 2.2 Blue HDI, originado de uma parceria entre a Ford e o Grupo PSA, entra o 2.2 Multijet II turbodiesel, da família Pratola Serra. A unidade rende 200 cv de potência e 45,9 kgfm de torque, ante aos 180 cv e 40,8 kgfm da versão anterior. O motor atual é o mesmo utilizado por outros carros do grupo Stellantis, como Toro, Rampage e Commander, porém montado logitudinalmente, diferente da montagem transversal dos outros modelos. Como a Titano utiliza chassis de longarina, enquanto seus irmão de grupo usam estrutura monobloco, diversas adaptações precisaram ser feitas para que o motor encaixasse na picape.
A disposição longitudinal do motor da Titano exigiu adaptações também na caixa de câmbio automática (a versão de entrada, a Endurance, tem câmbio manual de seis marchas). A caixa ZF8HP precisou ter uma marcha a menos, a fim de encaixar na picape, já que ela é mais longa do que a unidade utilizada na antiga Titano. No total o utilitário da Fiat utiliza um câmbio automático de oito velocidades.A mudança no powertrain da picape trouxe ganhos significativos em seu desempenho: o 0-100 km/h é agora feito em 9,9 segundos, consideravelmente menos tempo do que a Titano com o antigo motor, que precisava de 12,5 segundos. O consumo também melhorou: agora é de 9,9 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada, ante aos números anteriores, que eram, respectivamente, 8,5 e 9,2 km/l.
A suspensão foi significativamente atualizada, já que a anterior gerava muita trepidação e desconforto. Os engenheiros da Fiat substituiram coxins, molas e amortecedores - estes tiveram seu curso encurtado até por questões de packaging do novo conjuto motor-transmissão. O resultado é que há um filtragem mais eficiente das irregularidades do solo à cabine. A tração é 4x4 em todas as versões, com a Titano tendo agora nova caixa de transferência da BorgWagner nas versões com câmbio automático. Já a capacidade de carga não mudou: a picape pode carregar até 1.010 kg na caçamba - cuja tampa é bem pesada.
Falando em cabine, o interior teve menos mudanças. O painel continua com o mesmo aspecto da Titano lançada em 2024 - um je ne sais quoi de Peugeot - mas o cluster de instrumentos, parcialmente digital, agora tem 7 polegadas, ao passo que a central multimídia é de 10 polegadas. O sistema operacional continua o mesmo, mas os gráficos da interface foram atualizados. A central conta ainda com sistema Android Auto e Apple Car Play com conexão wireless. Já o carregador por indução é opcional.
Outra importante mudança ocorreu na caixa de direção, agora elétrica, o que a deixou não somente mais confortável em manobras mas também permitiu uma dirigibilidade mais afiada. A picape recebeu ainda freio a disco na quatro rodas em todas as versões, além de freio de estacionamento eletrônico.
Quanto à segurança, a picape conta com seis airbags em todas as suas versões. A inclusão de sistema ADAS, com controle de cruzeiro adaptativo, alerta de ponto cego e frenagem automática certamente contribuirá com um rodar mais seguro para os seus ocupantes.
A Titano 2025 é oferecida em três versões, Endurance, Volcano e Ranch, com os seguintes valores:
- Titano Endurance MT: R$ 233.990
- Titano Volcano AT: R$ 263.990
- Titano Ranch AT: R$ 285.990
Considerando que a faixa de preços de picapes de médio porte montadas sobre chassis começam na casa dos R$ 270 mil, a Fiat tem em seu favor uma forte relação custo X benefício. Ainda que a Titano deixe a desejar em alguns pontos, como acabamento e conectividade, as atualizações feitas pela marca italiana, sempre muito rápida em ler os movimentos do mercado, deram à picape fôlego necessário, tornando-a sem dúvidas uma opção interessante no segmento.
Meus agradecimentos ao time da Pontanegra Fiat, que gentilmente me recebeu!







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