GAC Aion V em Natal

Na última sexta-feira, 24 de agosto, tive a oportunidade de ir à Sta Motors, concessionária da GAC Motors em Natal, para conhecer o Aion V. Eu já havia conhecido os outros quatro modelos que inauguraram as operações da marca chinesa no Brasil - os Aion Y e ES, o GS4 e o Hyptech HT. 
 
Imagens: acervo próprio
 
A primeira coisa que me chamou a atenção foi a cor: havia dois Aion V no salão da Sta Motors, mas o vermelho (para mim um tom forte de laranja) saltou aos olhos e me fez temporariamente esnobar o exemplar preto mais ao fundo. A cor marcante valorizou as linhas do modelo, que são discretas porém eficientes em transmitir presença e sensação de robustez. Destaque para a linha de cintura, relativamente baixa mas com um ressalto pouco antes da coluna C, que deixa o carro com um aspecto musculoso. As bonitas rodas aro 19, calçadas por pneus 225/45, dão um toque final de sofisticação sutil ao SUV familiar.
 
 
Um detalhe curioso vai para o conjunto ótico: tanto os faróis dianteiros quanto as lanternas traseiras tem seu desenho inspirado em garras de um tiranossauro rex, segundo o time de design da GAC chinesa. Fazendo um bom esforço (e com alguma dose de boa vontade) eu até consegui ver alguma semelhança... será que a falta de repertório cultural chinês me impediu de captar a referência?
 
 
Lembra que falei de um exemplar preto ao qual não dei muita bola no início? Fiquei sabendo, através de uma das simpáticas vendedoras, que o modelo escuro tinha um "interior diferenciado". Ao me aproximar dele tive uma grata surpresa: acabamento de bancos, portas e parte inferior do painel em um belo tom terracota!
 

 

Talvez você, querido leitor, também esteja, como eu, cansado de interiores monocromáticos, sempre com tons escuros. Mas interiores claros não são exatamente práticos... podem até agradar no showroom, mas no uso real sujam fácil e assim perdem seu charme. Imagino que um interior nessa cor seja uma boa solução intermediária. 
 
  
O lado de dentro do Aion V reflete o que vemos por fora: linhas simples mas sóbrias e elegantes, agradáveis, transmitindo solidez. O modelo é muito bem acabado, com materiais do tipo soft touch por basicamente todo o painel e portas. E mesmo nos locais onde plásticos rígidos são utilizados, como na parte inferior das portas, esses plásticos são firmes e tem uma textura que agrada. Os bancos são de couro sintético e possuem oito pontos de massagem, ideal para viagens longas ou para o trânsito urbano pesado presente na maioria das grandes e médias cidades brasileiras. 
 
  
O Aion V conta com um cluster de instrumentos de 8,9 polegadas, sem a opção, contudo, de head-up display. No centro do painel, como de praxe nos elétricos chineses, há uma tela de 14,6", onde virtualmente todos os comandos voltados para conforto dos ocupantes estão localizados. Esse é um ponto negativo: sou do time que prefere que comandos mais usados (controle de temperatura, direção e velocidade do ar condicionado, juntamente com volume e faixa/estação do som) sejam físicos e com boa responsividade tátil, a fim de evitar distrações desnecessárias do motorista. Apesar disso, a central multimídia do Aion V é rápida, tem boa resolução e é bastante intuitiva, evitando menus confusos. E já que falei em ar, o do Aion V quase gera um furacão quando ligado no máximo: ponto positivo para este que vos fala, que derrete no calor da capital potiguar.
 
  
Ainda no tópico temperatura, um dos pontos mais interessantes do Aion V é a presença de um frigobar/forninho no console do carro: dá pra colocar alimentos ou bebidas nele e mantê-los em um gradiente que vai dos - 15 até os 50° C, excelente para viagens com crianças -  condizente com a proposta de carro familiar. 
 
  
Falando em viagens, o modelo conta com um generoso espaço para as pernas no banco de trás, graças aos seus 2,77 metros de entre-eixos. Os bancos, que podem ser rebatidos e transformados em cama, são confortáveis e o acabamento esmerado presente à frente se repete. Há saídas de ar localizadas em ambas as colunas B e quem viajar atrás do passageiro da frente conta ainda com uma prática mesinha, semelhante àquelas que vemos em aviões. Já o porta-malas, com abertura elétrica, tem 427 litros de capacidade segundo a GAC, e conta ainda com tomada e possibilidade de três diferentes níveis de configuração. 
 
  
Uma das principais preocupações de quem pretende comprar um carro 100% elétrico é com a autonomia. Nesse quesito, o Aion V manda bem, já que possui autonomia de 389 km no ciclo Inmetro. A bateria do Aion V é do tipo LFP (lítio-ferro-fosfato) e tem capacidade de armazenamento de 75,3 kWh, podendo ser carregada em até 80% dentro de 16 minutos, usando a recarga rápida.
 
Não tive a oportunidade de dirigir o veículo mas, segundo dados do fabricante, ele tem números que proporcionam desempenho satisfatório, dentro da média do segmento: o motor elétrico localizado no eixo dianteiro gera 204 cv de potência e 24 kgfm de torque, permitindo que o carro vá de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos. Não é desempenho de esportivo, mas essa nunca foi a sua pretensão. Para um SUV familiar urbano, ocasionalmente usado para viagens, o desempenho é suficiente. 
 
  
E sendo um carro familiar, a preocupação com a segurança dos ocupantes é natural - para atender a esses anseios, o Aion V conta com sistema ADAS completo, tendo itens como piloto automático adaptativo, alerta de ponto cego e assistente de permanência em faixa, além de 7 airbags. Os freios são a disco nas quatro rodas, ventilados à frente e sólidos atrás. Já a suspensão utiliza o convencional esquema McPherson na frente, mas deixa a desejar utilizando barra de torção atrás: o BYD Yuan Plus e Geely EX5, também novato no mercado nacional, tem suspensão traseira multilink. O peso total é de 1920 kg.
 
O Aion V se posiciona em uma faixa onde já há uma concorrência agressiva e que se encontra em expansão. O modelo tem predicados: além da boa lista de equipamentos, ele é confortável e muito bem acabado. Seu preço, de R$ 214.990, o coloca entre as duas versões do EX5, que cobra 205 mil pela Pro e 225 mil pela Max, além de vir consideravelmente abaixo do Yuan Plus, que parte dos 235 mil. 
 
  
A GAC, apesar de nova em Natal (em todo o país, na verdade), existe desde 1948, tendo iniciado a sua trajetória produzindo veículos pesados. Com a abertura econômica chinesa na década de 80, a GAC, pertencente à província chinesa de Guangdong, foi uma das primeiras empresas chinesas a firmar uma joint-venture com um grupo automotivo ocidental, o PSA, passando a produzir para o mercado local o Peugeot 504 e o 505 a partir de 1989. Mas foi a parceria com as japonesas Honda e Toyota que trouxe os maiores frutos, já que a GAC pôde aprender a fazer carros com duas das fabricantes mais renomadas do setor quando o assunto é durabilidade. O Aion V, aproveitando o boom qualitativo que a indústria automobilística chinesa vive, demonstra também ser um herdeiro direto dessa sinergia.
 

 

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