Djéi - côu

- Quem? - você deve estar se perguntando.

Imagens: arquivo pessoal

Essa é uma marca nova, então vale a explicação sobre o jeito certo de pronunciar o seu nome: se escreve Jaecoo, mas se pronuncia da forma macarrônica que está no título, e não Ja-é-co, caro leitor incauto. O nome, ainda esquisito aos nossos ouvidos, vem de uma fusão do termo alemão Jäger, que significa "caçador", e da palavra inglesa para "legal", cool.


Seria o Jaecoo 7, então, um caçador gente boa?

"Gente boa" é um adjetivo que costumamos atribuir àqueles que nos tratam bem - e isso o 7 faz. O modelo é, além de bem equipado, muito bem acabado e espaçoso. As linhas do interior seguem design exterior: são retas e sóbrias. O espaço interno é abundante e a sensação de amplitude é ajudada pelo teto solar com 1,1m² de área. Apesar do bom tratamento, a falta de botões físicos no painel incomoda. Já para os passageiros do banco de trás, o assoalho é plano e o espaço paras as pernas será suficiente para a maioria das pessoas. 


O estilo interior continua do lado de fora: as linhas são simples, sem grandes arroubos de criatividade (o design bebe da fonte do Range Rover Velar), mas certamente o 7 é elegante e bem resolvido, com uma certa imponência, até. O conjunto ótico frontal engana, com os faróis estando no para-choques e não em posição superior, ao contrário da maioria dos carros que conhecemos, formando uma assinatura luminosa interessante. A grande frontal é alta e ajuda a compor a frente imponente do modelo. Já na traseira, como já é praxe nos modelos chineses, as lanternas são conectadas. Não é um carro muito original, mas é sem dúvidas bonito, com linhas bastante agradáveis aos olhos - ao menos segundo este escriba. O desenho do Jaecoo 7, inclusive, passa a sensação de que ele é um carro maior, já que o modelo com cara de SUV de grande porte tem 4,5 metros de comprimento, o colocando na categoria dos utilitários esportivos médios.


Ainda no campo de "tratar bem o próximo", o 7 se importa com a segurança de seus ocupantes: o carro vem equipado com sete airbags e sistema ADAS com controle de cruzeiro adaptativo, alerta de ponto cego e sensor de manutenção de faixa. Ademais, o SUV médio da Jaecoo utiliza a plataforma T1X, significando que sua carroceria conta com 80% de aço de alta resistência, gerando maior proteção em caso de impactos, com melhor absorção de energia, além de aumentar a rigidez à torção, e proporcionando, ao menos em teoria, um comportamento dinâmico superior. Os freios utilizam disco nas quatro rodas (ventilados à frente, sólidos atrás) e a suspensão dianteira é do tipo McPherson, ao passo que na traseira a Jaecoo instalou um sofisticado sistema Multilink.


A plataforma T1X foi desenvolvida pela Chery, marca proprietária não somente da Jaecoo, mas de outras tantas como a Omoda, a Jetour, a Exeed e a Luxeed, além dos direitos de produção e comercialização dos modelos do grupo JLR (Jaguar - Land Rover) na China - o que talvez ajude a explicar as linhas do 7... de todas as formas essa é uma base interessante, permitindo a produção tanto de veículos híbridos como de veículos exclusivamente à combustão ou 100% elétricos. No caso do 7 ofertado aqui temos um híbrido plugin, cuja propulsão é feita com a combinação de um motor 1.5 litros, 4 cilindros em linha, de 135 cv de potência e 20,4 kgfm de torque, com um motor elétrico, montado no eixo dianteiro, de 204 cv e 31,6 kgfm. Juntos eles geram 339 cv e 52 kgfm, suficientes para o uso para o qual o carro foi projetado, desde que se evite o descarregamento da bateria, de 18,4 kWh - neste caso, o motor vai ter levar o carro de 1.795 kg sozinho e ainda se preocupar com a geração de energia para a bateria do tipo LFP.

A essa altura você talvez esteja se perguntando: "ok, já entendi o cool - que cacofinia desgraçada - mas e o Jäger (fala-se Yé-guêr)? Que caçador é esse"


A Jaecoo, que chega ao Brasil junto da sua irmã, a Omoda, tem planos ambiciosos e quer surfar na onda dos SUVs chineses híbridos que oferecem muito por pouco. Tão ambiciosa que sequer se alinhou com a Chery nacional, que é responsabilidade do já conhecido grupo Caoa, atuando no país sob comando direto da matriz Chinesa. E, para conquistar um lugar ao sol, a Jaecoo chegou com investimento pesado, abrindo, logo de início, 50 concessionárias no país, e com planos de abrir mais 20 até o final do ano. Os preços também chamam a atenção: o 7 vem em duas versões, a Luxury, a partir de R$ 229.990, e a Prestige, que sai por R$ 249.990. Mas de nada adiantaria esse tanto de lojas ou um preço baixo se o produto não fosse sólido. 

Mas ele é - o Jaecoo 7 veio à caça, mas o faz com sensibilidade e nobreza. 


Gratidão à Redenção Omoda Jaecoo, que me permitiu conhecer sua linha! 

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