Nova geração do Clio estreia em Munique
A marca francesa Renault apresentou ao mundo nesta última segunda-feira, dia 08/09, na ocasião do Salão de Munique (já que o de Frankfurt foi guilhotinado), a sexta geração daquele que não somente é o seu best-seller, como também o carro francês mais vendido de todos os tempos: o Clio.
Imagens: Renault
E, em pleno 2025, o Clio chama atenção por não contar com versão exclusivamente elétrica!
De certa forma, é uma surpresa: o mundo já sabe que a Renault pretende ser uma marca 100% elétrica até 2030. E a marca parece obstinada a atingir a meta, em todos os segmentos, diga-se. As reencarnações exclusivamente elétricas do clássicos Renaults 4 e 5 estão aí para mostrar que a marca do losango não tá para brincadeira.
Por outro lado, muitas marcas e grupos automotivos já declararam a mesmíssima coisa, apenas para voltar atrás: BMW, GM, Ford, Mercedes, Stellantis, Volkwswagen... apesar do ultimato emitido pela União Europeia, a qual banirá a venda de carros com motores à combustão a partir de 2035, os desafios técnicos a serem superados e uma demanda estagnada por parte dos compradores fez com que tais marcas alterassem os seus planos quanto à eletrificação plena.
Para a Renault, o plano não mudou - pelo menos até então: a marca tornar-se-á (sempre dou um jeito de encaixar uma mesóclise aqui e ali) puramente elétrica em 2030. O Renault 5 tem vendido bem e o 4, recém lançado, é sucesso de crítica. Mas o Clio é uma verdadeira galinha de ovos de ouro. Desde o seu lançamento, em 1990, e ao longo de cinco gerações, figura entre os carros mais vendidos da Europa. Em 2024 e no primeiro semestre de 2025 ele foi medalha de prata em vendas no velho continente, perdendo o primeiro posto para - ora, ora, ora - o Sandero (vendido lá pela marca romena Dacia). Ademais, ganhou o prêmio de carro do ano na Europa em duas ocasiões, em 1991 e em 2006. Depois de 17 milhões de unidade vendidas, a Renault não poderia se dar ao luxo de ousar demais e errar.
Mas ela ousou, pelo menos no design.
Talvez não agrade a todos, mas eu achei o desenho sensacional, ainda que admita uma certa estranheza - que não chega a ser estranha à própria Renault, marca que já teve em seu catálogo modelos como o Twingo, o Megane Hatch de segunda geração, o Vel Satis e o Avantime. É legal ousar, madame Renault, ainda mais neste mar de carros anônimos que estamos atualmente. Indo contra a maré, a marca resistiu à tentação SUVizadora e lançou um hatch. A Renault mandou très bien!
Não parece o olho de um Transformer?
Outra coisa que me despertou interesse no carrinho (nem tão carrinho mais assim, afinal tem 4,12 m de comprimento) foi no conjunto mecânico. O Clio contará com três opções de motorização: a versão de entrada terá motor 1.2 turbo tricilíndrico, rendendo 115 cv de potência e 19,4 kgfm de torque, podendo ser equipado com um câmbio automatizado com dupla embreagem e seis marchas ou um - pasmem - um câmbio manual, também com seis marchas. Câmbio manual em 2025, que delícia! 
Já a traseira tem um quê de Alfasud - pra mim
Há uma versão intermediária, a gás natural (GLP), com 120 cv e 20,4 kgfm, dessa vez sem opção de manual. O topo de linha virá com motor 1.8 de quatro cilindros, utilizando o ciclo Atkinson, o qual funcionará em conjunto com dois motores elétricos e gerará ("gerará"? Que palavra feia...) 160 cv, com sua potência sendo enviada às rodas de tração via caixa de câmbio do tipo CVT. O destaque aqui é o consumo, com a Renault prometendo um consumo médio de 25,6 km/l. Sacré bleu!
No interior as versões de topo serão equipadas com duas telas de 10 polegadas cada, com Android Auto e Apple Car Play, com material soft-touch pelo painel e som Harman Kardon com dez alto-falantes. Contará ainda com assistente de condução ativo e frenagem automática.
A Renault ainda não falou em preços, mas não se anime, caro conterrâneo, já que provavelmente a sexta geração do Clio não virá para o Brasil.
Uma pena, pois o carro tem, pelo menos no papel, vários predicados que o destacam em relação à concorrência. De todas as formas, em uma era onde quase todas as marcas apelam para a já manjada, porém segura, fórmula onde todo carro é (ou aspira ser) um SUV automático e elétrico (na Europa), ver um carro moderno fugindo à regra é um sopro de alívio.
Merci, Renault.












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